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Erre Grande

Diário motivacional de quem sabe o que quer: viver, aprender e crescer profissional e pessoalmente.

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O meu primeiro salário

Vi uma colega de escola festejar o primeiro salário do irmão e lembrei-me que não festejei o meu.

A ideia do primeiro salário parece-me de facto importante. É aquele primeiro dinheiro que ganhamos com o nosso trabalho. Não é aquela mesada grande de quando chegamos à faculdade, não é aquela nota que os avós dão no Natal, não é aquele presente dos 18 anos adiantado para poder comprar a mota ou o carro. É aquele dinheiro que ganhámos porque tiramos parte do nosso tempo para fazer um serviço qualquer. E isso torna-nos mais reais, mais adultos, talvez?

 

Quanto entrei para a faculdade, sabia que queria gastar o meu primeiro dinheiro numa caixa de CDs da minha banda preferida, na altura avaliada em mais de 150 euros. Poderia ser apenas uma caixa de CDs mas como era bastante cara, para mim simbolizava que eu só iria conseguir adquiri-la quando tivesse o meu dinheiro.

Quando entrei para o mestrado, comecei também à procura de trabalho e uma colega de mestrado disse que tinha comprado uma pulseira para marcar esse feito importante na vida. Entre uma pulseira e uma caixa de CDs, a pulseira parecia que fazia mais sentido mas continuei com a minha ideia de ter a derradeira caixa, por aquilo que significava para mim.

 

Há mais de 18 meses atrás, quando realmente recebi o meu primeiro salário, não o gastei na caixa de CDs. Gastei-o em idas à praia, em almoços com os amigos, em jantares de aniversários, em experiências e viagens, e em cursos e eventos que quis ir.

Alguns meses depois, quando notei que já recebia o meu dinheiro, apercebi-me que a caixa de CDs não tinha sido comprada. E não fiquei triste nem chateada. A minha cabeça já não estava a pensar na caixa de CDs mas sim noutras coisas. 

Já tinha a percepção que prefiro investir o meu dinheiro em vez de gastá-lo; que prefiro comprar experiências a comprar coisas; que prefiro gastar o dinheiro não quando o tenho mas quando faz sentido gastá-lo.

 

Percebi com o meu primeiro dinheiro que é realmente importante ter uma relação saudável com o dinheiro. O dinheiro é um bem essencial à nossa vida, e cada vez mais as pessoas têm menos dinheiro do que aquele que necessitam. Mas também vejo muitos jovens que não fazem ideia o que realmente é o dinheiro e o poder que ele tem. Com o meu primeiro dinheiro, percebi a dificuldade que é ter custos fixos; o desafio que é ter um pouco que seja no final do mês; a noção de que poupar deverá ser mandatório mas é genericamente impossível.

Por isso, a maior lição que tive do meu primeiro salário é que o dinheiro é importante. Numa sociedade que nos faz gastar em coisas que não interessam, em cada vez mais materiais, o meu primeiro salário fez me ver o quão importante é ter dinheiro e o quão importante deve ser o nosso mindset de investir em vez de gastar. Vamos sempre ter de gastar dinheiro, mas que pelo menos seja em questões essenciais e não gastar só porque o vizinho tem, só porque o colega de trabalho também o faz, só porque todo o mundo diz para fazer.

Dinheiro é investir não gastar. E foi isso que aprendi com o primeiro, o segundo e o terceiro dinheiro. E é uma lição que valerá para toda a vida e que se deveria aprender, com ou sem primeiro salário.