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Erre Grande

Diário motivacional de quem sabe o que quer: viver, aprender e crescer profissional e pessoalmente.

Erre Grande

Diário motivacional de quem sabe o que quer: viver, aprender e crescer profissional e pessoalmente.

Espero que a Uber ajude os Táxis

Quando foi a greve na segunda-feira passada, não sofri muito mas fui acompanhando as notícias, os vídeos nas redes sociais, alguns artigos com testemunhos de taxistas que se juntaram à manifestação, outros que ficaram em casa, ou até mesmo do rapaz que trabalha na Uber e o pai taxista diz para ele não apanhar táxis.

 

Quando ouvi uma conversa entre amigos na zona de restauração do centro comecial, comecei também a magicar sobre o assunto e só me lembro da história que me foi contada há semanas pela minha prima.

Um cliente precisava de ir ao Marquês para o Aeroporto e quando o taxista o deixou à porta do Aeroporto Humberto Delgado, ele disse ao taxista para ir para o outro aeroporto:

- Como assim o outro aeroporto? Este é o único aeroporto em Lisboa.

- Ah mas não pode ser este, porque quando vim para cá tive de atravessar duas pontes até chegar ao Centro.

Ou seja, um trajecto que deveria custar no máximo dos máximos 30 euros (e a média deve ser 20) custou 70 euros a um estrangeiro que não fazia ideia do serviço que estava a receber. Pode ser bom o serviço, mas o bom serviço passa sempre pela honestidade, na minha opinião.

 

E histórias como estas já todos nós ouvimos. Parece que cada lisboeta pode contar dezenas delas, em que 1 a cada dez é uma história boa de um dia que fomos num táxi e a viagem foi muito boa. Para mim, felizmente, tive 9 boas viagens e uma menos boa, por isso posso falar de sorte de ter apanhado sempre bons profissionais.

 

A partir desta história, vejo a clara diferença e vantagem de um serviço como o da Uber.

Pelo que percebo da app, na Uber eu escolho o trajeto e já sei exactamente quanto custa. Num táxi, eu entro no carro digo para onde vou e ele lá sabe qual o "melhor" caminho. Mas imagine-se um turista, que não sabe nada sobre a geografia da capital e pede para ir a um sítio e depois é roubado em mais de 20 euros. Com a Uber, mal chegasse ao Aeroporto saberia quanto tempo demorava a viagem e quanto iria gastar.

 

É este o grande problema que os taxistas deveriam ter em conta, quando se nota que quando se manifestaram na segunda-feira passada o dia todo, mais de 80% dos lisboetas estavam descontentes com o serviço. Podem perceber os seus direitos de manifestação e da concorrência desleal, mas no final, dizem que quem tem de mudar é os taxistas.

 

O grande problema é realmente o serviço ao Cliente. Estou cada vez mais desperta ao Apoio ao Cliente que muitas empresas fazem, e acho que as empresas portuguesas ainda têm muito a aprender. E os taxis como empresa também.

Se entramos num táxi em que o profissional é mal humorado, leva a janela toda aberta numa noite fria de inverno, ouve música aos altos berros e ainda adora andar a 100km/h nas curvas, a única coisa como cliente que posso fazer é reclamar, pagar, sair do carro e jurar para mim mesma que nunca mais volto a usar um táxi. Até que a necessidade aparece e uso de novo o serviço e dessa vez a coisa até não corre mal.

Não estou a dizer que não é uma profissão com sérias dificuldades mas defendo que qualquer emprego dedicado ao atendimento ao público tem de ter a noção de que é o serviço prestado naquele momento, naquela viagem, que importa. E como não dá para avaliar o comportamento de nenhuma taxista - não há filmagens, nem colegas de trabalho a queixarem, e muito menos clientes a escrevem no livro de reclamações - as pessoas ficam cada vez mais descontentes com o serviço. Até que aparece uma nova solução com um modo de funcionamento diferente dos táxis e isso encanta as pessoas. E os taxistas acordaram para a vida e a frustração leva a episódios vistos nas redes sociais, de um carro da Uber a ser partido por vários taxistas em manifestação, com imagens de um carro a ser abalado quase ao ponto de se virar, com uma pessoa lá dentro (não vou comentar mais sobre isto).

 

Sei que o mundo não é perfeito e por isso acredito em equilíbrios. Para mim, tem de haver regulamentação dos dois lados, quer para as novas plataformas como a Uber e a Cabify, quer para os táxis. Tem de haver regras iguais para os dois (sou totalmente a favor da formação dos condutores da Uber para garantir a segurança da viagem aos clientes, como há nos táxis) e tem de haver uma primeira preocupação de prestar um bom serviço ao Cliente e para isso tem de haver mecanismos de reclamar quando o Cliente não está satisfeito.

 

É preciso mudar muitos comportamentos, tanto a nível da empresa que regula a actividade dos táxis como também a nível dos profissionais. E por isso espero mesmo que os acontecimentos da semana pensada ajudem principalmente os táxis. A Uber é uma start-up multinacional que tem o seu próprio plano de vendas, expansão e serviço ao cliente, não precisa da nossa ajuda.

Já os táxis, os nossos táxis, têm de reformular os seus comportamentos. Eu posso não precisar de um táxi mas quero ter a certeza de que posso recomendar táxis a pessoas e turistas e falar que o serviço é bom e seguro. 

 

Assim, espero que a Uber ajude os táxis. Espero mesmo que os táxis melhorem o seu serviço e os lisboetas voltem a usar táxis e que as histórias de café de táxis apavorosos diminuiam cada vez mais. Espero mesmo que sim.