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Erre Grande

Diário motivacional de quem sabe o que quer: viver, aprender e crescer profissional e pessoalmente.

Erre Grande

Diário motivacional de quem sabe o que quer: viver, aprender e crescer profissional e pessoalmente.

Vais perder a vida vivendo

Escrever é a minha vida, sobre isso não há grande coisa a se dizer. E desde que comecei esta maratona dos blogues, tenho percebido que gosto de escrever de várias maneiras em diversas plataformas e também em várias línguas.

Desde que descobri o Medium há uns meses que dedico também algum tempo a expressar as minhas ideias em inglês, no sentido em que existem certos tópicos que penso que funcionam melhor quando escritos em inglês.

 

Contudo, isso não quer dizer que eles não possa ser traduzidos e partilhados com vocês e foi por isso que decidi traduzir este post que escrevi o mês passado no Medium, pois penso que é uma ideia que encaixa na visão do Erre Grande.

 

Pode ler o original aqui na íntegra bem como a versão portuguesa que postei no LinkedIn: (link)

 

Alguma vez ouviste alguém dizer aquela frase "algumas pessoas vivem e outras apenas respiram" para dizer que algumas pessoas vivem a vida a 100% e outras apenas parecem que estão cá de passagem?

Acho que esta expressão ilustra a ideia de que alguns de nós estão a viver a vida, a descobrir novas coisas, a crescer e a aprender todos os dias, enquanto outros estão a perder todos esses momentos, porque não agem ou não tomam a decisão de agir e agarrar as oportunidades que a vida lhes dá. Depois das férias da Páscoa comecei a pensar nesta ideia e talvez nós não estejamos a perder a vida.

 

Nas férias da Páscoa, decidi ir de fim-de-semana fora para visitar a minha família paterna e na véspera a minha irmã disse-me que os meus tios maternos tinham chegado a Lisboa e que iam todos almoçar fora no domingo. Eles tinham vindo a Lisboa para estar comigo mas eu não poderia estar com eles porque estaria fora com o outro lado da família.

Senti-me um pouco culpada porque não iria conseguir estar com a minha família materna mas ainda não tenho o talento de conseguir estar em dois lugares ao mesmo tempo. A ideia de que estava a perder a oportunidade de estar com a minha família fez-me relembrar uma experiência que tive há uns meses atrás.

 

Em outubro do ano passado, tive três semanas a fazer um curso pós-laboral, o que fez com que não tivesse tempo para me dedicar a outros projectos importantes. Estive fora nesses dias a ir ao trabalho e a dedicar-me ao curso, pelo que não fiz nada para o meu outro projecto, e senti-me culpada porque estava a colocar uma paixão minha em standby enquanto outras pessoas com quem trabalho estavam a alimentar a minha e a sua parte. Enquanto a minha equipa estava a ter reuniões e a concretizar ideias, eu estava fechada numa sala a aprender sobre desenvolvimento pessoal. Eu não estava a fazer o que os outros estavam a fazer e senti que estava a ficar para trás - eu estava a perder a oportunidade de fazer crescer o meu negócio para poder fazer um curso que poderia ou não contribuir para o meu crescimento.

 

Até que percebi que eu não estava a ter as reuniões que os outros estavam a ter mas os outros não estavam comigo a aprender. Eu estava a perder a experiência deles mas eles também estava a perder a minha experiência.

Tal como eu estava a perder o meu almoço de família, nós todos também estamos a perder outras experiências que outras pessoas estão a viver. Numa sexta-feira à noite, uma pessoa está na discoteca enquanto outra está em casa a ver um filme com a família e outra pessoa está a estudar para um teste importante - e cada uma delas está na sua experiência a perder a do outro. Será que não sair a uma sexta à noite é não aproveitar a vida?

 

A questão é que todos nós vamos perder oportunidades ao viver oportunidades.

Sim, vamos todos perder oportunidades. Sim, não vamos poder fazer muitas coisas. Sim, vamos perder muitos momentos. Mas apenas vamos perder esses momentos porque estamos a viver outros.

 

O propósito da vida não é aproveitar qualquer oportunidade que nos apareça à frente mas sim aproveitar as oportunidades que estão de acordo com o nosso ser e com os nossos objectivos. Devemos sim aproveitar as oportunidades que nos fazem crescer e que contribuam para aquilo que designamos como algo que nos traz felicidade.

 

Viver a vida a 100% é entender que devemos fazer as coisas que escolhemos fazer; que certamente iremos fazer coisas que toda a gente faz e que nós não fazemos; e é normal não fazermos essas coisas todas porque essas coisas podem não nos satisfazer. Penso que devemos aceitar que não vamos viver todas as experiências do mundo porque nem todas elas são importantes para nós. Se eu acabar a minha vida sem fazer um salto de pára quedas ou não visitar a Taj Mahal, não quer dizer que não tenha aproveitado a minha vida como deve ser, porque essas experiências podem não ser importantes para mim. Em contrapartida, posso ter experimentado 20 brunchs diferentes onde vivo e ter ido ver 50 filmes com os meus amigos e ser mais feliz assim, porque essas experiências são muito mais importantes para mim. São essas experiências que me fazem sentir viva. 

 

Assim, viver a vida, aproveitar a vida, viver como deve ser depende da definição de cada um de nós. Viver a vida não é estar em todo o lado a toda a hora, mas sim escolher os momentos que queremos viver e estarmos completamente focados a vivê-los.

 

Neste momento, estou num café a acabar este texto (a um fim-de-semana), quando poderia estar em casa a preparar as marmitas da semana ou estar no centro comercial às compras. Estou certamente a perder o jogo de futebol que a minha irmã foi ver, estou a perder a festa de aniversário de um conhecido meu mas não estou mal com isso porque eu escolhi estar aqui e agora. E neste aqui e agora eu não estou a não viver - eu estou a viver em pleno porque estou a fazer aquilo que quero fazer.