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Erre Grande

Diário motivacional de quem sabe o que quer: viver, aprender e crescer profissional e pessoalmente.

Erre Grande

Diário motivacional de quem sabe o que quer: viver, aprender e crescer profissional e pessoalmente.

Ocupada ou produtiva?

Nos últimos seis meses, o meu calendário parece um teatro de guerra. Almoços de negócios, cafés, beber copos, jantares e todo o tipo de eventos de networking preenchem a minha semana de trabalho: eu tenho apenas duas horas livres por dia, excepto sexta-feira à noite, que reservo para ver séries e dormir. Aos fins-de-semana estou tão ocupado que eu tento não marcar nada para me actualizar com o meu trabalho de freelancer, cuidar da minha sanidade e ver a minha série preferida. Quando os meus amigos me perguntam a um domingo ou a uma segunda "bora beber um copo esta semana?", digo-lhes sempre que podemos ir beber um copo daí a duas, três semanas. E isto não é um questão de eu ser popular, é uma questão de que muitas vezes quero fazer tudo ao mesmo tempo mas não consigo.

Esta sensação é descrita por Kelsey Manning, neste artigo que li recentemente no Levo.

 

Muito já tenho pensado sobre a diferença entre estar ocupada ou estar realmente a fazer algo que contribua para o meu futuro. Muitas vezes vivemos a vida ocupados, a andar de um lado para outro, a trabalhar, a levar os filhos à escola, a estar com os amigos, a escrever um livro, a arrumar a casa. Mas será que a maioria de nós já parou para pensar se realmente está a fazer algo de produtivo? Algo que nos deixa felizes? Algo que realmente traga valor acrescentado para a nossa vida? Algum hábito que nos faça crescer como pessoas, como seres humanos?

 

De facto, a nossa vida é um verdadeiro multitasking de tarefas e funções em que queremos fazer tudo ao mesmo tempo mas depois acabamos por não fazer tudo, ou nem metade, ou quando fazemos pode nem ser bem feito. E mesmo quando não estamos a conseguir fazer tudo, porque continuamos a encher a agenda com mais e mais compromissos, apenas a fazer pouco e a sentirmo-nos cansados?

 

A única diferença de sermos ocupados ou sermos produtivos está nas prioridades. Ser produtivo é fazermos aquilo a que nos predispostos a fazer, e não é só fazer por fazer. É muito mais produtivo gastar 30 minutos a fazer o jantar, se isso for realmente importante para mim, do que ler algo durante duas horas que não me interessa. Estamos demasiado focados em fazer um número de coisas que nem chegamos a pensar se alguma dela contribui para a nossa vida.

 

Para quê ir a três restaurantes por semana se eu não me interesso por conhecer locais novos? Para que estar com cinquenta pessoas diferentes se não me interesso por nenhuma? Para quê ir a determinados eventos só porque toda a gente que conhecemos vai? Talvez seja mais produtivo ficar em casa a ver séries se elas nos deixam felizes e a pensar sobre histórias e personagens. Talvez seja mais produtivo arrumar a casa se sentimos que trabalhamos melhor assim. Talvez seja mais produtivo ficar uma sexta-feira à noite a actualizar o blogue porque isso faz com que tenhamos mais tempo para outras coisas.

O que é produtivo para uns pode não ser para outros e isso faz toda a diferença. E a única forma de sermos produtivos é encontrarmos aquilo que nos faz feliz e deixarmos de fazer as coisas de que não gostamos.

 

No fundo, estar ocupado é fazer coisas por fazer e ser produtivo é fazer coisas que nos interessam. E eu já escolhi ser produtiva - e assim estou muito menos ocupada.

 

A grande oportunidade existe?

A Grande Oportunidade. O Grande Momento.

Todos já ouvimos falar destas duas expressões. Aquela experiência ou momento em que a nossa vida muda radicalmente, um pequeno pormenor que nos faz ver as coisas de outra maneira, que nos motiva a trabalhar, que marca a nossa vivência com um antes e depois desses momentos.

Muitos de nós já tiveram esse momento: o nascimento de um filho, um acidente, uma pessoa que conheceram. Essa experiência condicionou-os e fez-lhe mudar de perspectiva, como se dentro da sua cabeça tivesse dado "um clique " que despertou a consciência para uma vida maior e melhor.

Quando entrei para o mercado de trabalho em crise, andava à procura de experiência mas sempre pensei que tinha de encontrar "aquela" oportunidade, "aquela" empresa que me ia colocar no topo, "aquele" cargo que iria despertar as melhores capacidades em mim, "aquele" contacto que me vai abrir portas para o mundo.

 

Contudo, essa experiência não aconteceu - e nem vai acontecer.

Porque não é uma só decisão que vai alterar a nossa vida. Aliás, uma pequena decisão, um sim na hora certa, pode de facto alterar a direcção do nosso caminho mas ela não será aquela megalómana experiência de que estamos à espera. Aquele momento arrebatador só fará sentido se continuarmos a investir nessa decisão, pois de nada nos vale começar um caminho se não o vamos continuar.

Não há um só caminho para o pote de ouro no final do arco-íris, não há apenas uma única porta que nos levará ao céu, não há apenas uma única oportundade na vida para fazer o bem. Há vários caminhos, várias hipóteses, várias experiências que uns a seguir ao outros nos preparam para a vida que queremos ter.

 

Tal como li no artigo de Jeff Goins, no Medium, não é uma única oportunidade que vai-nos levar ao sucesso profissional e pessoal. Não é uma decisão de vida ou de morte que poderá encaminhar-nos na direcção certa. Essa decisão tem de ser tomada todos os dias.

 

There’s a story about the Oscar-winning actor Walter Matthau. A younger thespian is bemoaning his own struggle in show biz. “Mr. Matthau, I’m just looking for that one big break!”

In the story Matthau laughs. “Kid,” he says. “It’s not the one big break. It’s the fifty big breaks."

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