Houston, we have a problem

Na minha ainda pequeníssima carreira profissional, como qualquer outro profissional, confronto-me diariamente com problemas, algo que o cliente pede para resolver. Quando comecei, a minha primeira reacção seria "ups, tenho um problema" e logo começava a entrar em stress porque havia um problema. Porque é que há um problema? Como surgiu este problema? Porque haveria de haver um problema? A vida não pode correr sem problemas?

 

Para lidar com a situação, o meu instinto era despachar o problema. Não era tanto resolvê-lo mas sim fazer com que ele desaparecesse, que ele deixasse de existir. Contudo, ele voltava e tornava-se mais complicado resolvê-lo, o que me levava a sentir mais stressada. Vi isto a ocorrer algumas vezes até que parei para pensar no que estava a acontecer - e aí aprendi a diferença entre despachar um problema e solucionar um problema.

 

Despachar um problema pode ser fazer alguma coisa, como avisar que há um problema, dizer a alguém que há um problema ou reencaminhar esse problema para outra pessoa o resolver. Contudo, isso não é resolver um problema.

Para se resolver um problema, é preciso olhar bem para ele e perguntar: quem és? Como és? O que está mal? O que pode ser melhorado? É a primeira vez que isto acontece? Qual a melhor forma de resolver isto?

 

Anteriormente, via o problema, fazia qualquer coisa e achava que já tinha passado, e por vezes o problema voltava e dava mais trabalho para resolver - o problema é que eu não estava a resolver o problema, apenas "resolvê-lo" pela metade. Quando comecei a pensar, a analisar e a ponderar, comecei a resolver os problemas de forma mais eficiente. Em vez de tomar vários passos para frente e para trás, comecei a tirei alguns momentos para desenvolver as etapas necessárias para a sua resolução e a tratar tudo de uma só vez.

 

Assim, os problemas passaram a ser desafios, os desenrasques passaram a ser soluções, o resolver passou a ser arranjar uma estratégia. Se antes queria despachar o problema, agora quero pensar nele, interiorizá-lo, perceber como funciona, criar uma lista de soluções adequadas e depois atacá-lo e resolvê-lo para que não torne a acontecer.

 

Quando recebo um email para tratar de algum assunto, em vez de levar as mãos à cabeça, leio, penso, pesquiso, revejo e procuro a melhor solução. Pois o meu trabalho não é "despachar emails" mas sim "resolver problemas" e isso faz toda a diferença.