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Erre Grande

Diário motivacional de quem sabe o que quer: viver, aprender e crescer profissional e pessoalmente.

Erre Grande

Diário motivacional de quem sabe o que quer: viver, aprender e crescer profissional e pessoalmente.

Mais liberdade de horas

A propósito da redução das horas de trabalho semanais dos funcionário públicos para 35 horas, saiu mais um artigo a explicar que não é a quantidade de horas de trabalho que está a comprometer o mercado de trabalho mas sim a qualidade dessas horas.

No seu mais recente artigo, Gray Matter do The New York Times argumenta que as pessoas são mais produtivas quando estão mais bem dispostas e isso ocorre quando têm mais tempo livre.

O artigo reflecte a realidade vivida por muitos americanos: num mercado pouco regulado, os americanos queixam-se que trabalham mais de 50 horas por semana e sentem-se exaustos, não conseguindo conciliar a vida profissional com a vida familiar.

 

Num estudo enunciado pelo artigo, as pessoas estão mais desanimadas de segunda a quinta-feira e mais bem dispostas de sexta-feira a domingo. Se tal se devesse aos dias livres, a verdade é que a mesma tendência foi verificada nos desempregados - mesmo aqueles que têm tempo livre, sentem-se melhores nos dias livres e mais desanimados quando ocupam a semana a enviar currículos e a comparecer a entrevistas de emprego.

 

Então porque isto acontece? A resposta está não nas horas, mas sim na flexibilidade. Durante a semana, estamos presos a um horário, a um escritório, a um conjunto de tarefas a serem desempenhadas das 9h às 18h, com uma hora de pausa e isso não motiva, não inspira, não permite a realização pessoal do colaborador. Já durante o fim de semana temos dois dias livres para organizarmos como quisermos: brincadeiras, passeios, lanches, almoços, jantares, saídas com os amigos. Assim, as empresas devem estar atentas a estas mudanças e adaptar-se, pois a força laboral não é a mesma de há 30 anos atrás e já não chega um cheque alto para motivar as pessoas. É necessário dar-lhes oportunidades, o poder da escolha de como e onde querem trabalhar, de forma a potencializar a maioria do actual capital humano que tem imensas capacidades e conhecimentos para desenvolver e aplicar.

 

Assim, este e outros artigos apenas mostram que o mercado de trabalho mudou, a força laboral mudou e as empresas devem mudar, de forma a criar um ambiente de trabalho com colaboradores mais independentes, mais confiantes no seu trabalho e mais realizados - porque tudo isso é que contribui para um mercado de trabalho rico e produtivo.

 

 

O novo bom profissional

Desde pequenos que a nossa vida está planeada pelos nossos pais: ir para a escola, estudar muito, ser bom aluno, ir para a faculdade, tirar o canudo, ir trabalhar para uma boa empresa, ganhar dinheiro, tirar o mestrado, ganhar mais dinheiro, trabalhar até aos 65 anos e ter uma boa reforma.

 

Como qualquer pessoa antes da crise pensava desta forma e os meus próprios pais também me mostravam como era importante estudar. Diziam sempre uma frase que me ficou marcada:

 

Um bom profissional arranja sempre emprego.

 

Na altura, acreditava que sim mas esta frase já não tem o mesmo significado. A palavra emprego como a conhecemos já não reflecte a realidade que os meus pais viveram. Emprego seguro, durável e com fidelidade à empresa já não existe e foi substituído por estágios, mais ou menos remunerados, com mais ou menos possibilidade de continuação, para pessoas mais ou menos experientes.

 

Também a definição de bom profissional mudou mas não da maneira que as pequenas e médias empresas pensam. Os gerentes e administradores pensam em contratar um profissional e procuram o candidato ideal: licenciado, bom estudante, jovem (mas com muita experiência), com conhecimentos de línguas, programação, comunicação, vendas, administração e contabilidade e já agora com um horário livre para poder trabalhar as horas que forem precisas - um candidato, por assim dizer, impossível de encontrar. Mas isso não quer dizer que os profissionais deixaram de existir pois o que mudou foi a definição do que é ser um bom profissional.

 

Assim, num mercado de trabalho incerto, como podemos dizer que um bom profissional arranja sempre emprego?

 

O bom profissional não é aquele que tem o canudo, não é aquele que tem o melhor currículo com trabalhos nas maiores empresas, não é aquele que sabe fazer tudo de forma rápida e perfeita.

 

O bom profissional é aquele que quer faça a mais pequena tarefa ou lidere a maior empresa do mundo, quer trabalhe cinco minutos ou quinhentas horas, quer faça aquilo que ama ou se arraste num ambiente horrível só para pagar as contas - independentemente da sua situação laboral, um bom profissional faz o seu trabalho como sempre fez: dando sempre o melhor de si e nunca fazendo nada só porque sim, só para despachar, só para ficar aceitável.

 

Tornamo-nos bons profissionais sempre que fazemos uma reunião, falamos com alguém ou apresentamos um projecto, pois o bom profissional entende que no mínimo que faz está a colocar um pouco de si, a sua marca, o seu nome. Pensando no seu trabalho, se tudo o que fizesse fosse publicado num livro com o seu nome e as pessoas o pudessem ler, quereria que esse livro fosse apenas razoável? Gostava que as suas capacidades fossem resumidas em três folhas ou gostava que elas brilhassem em todas as tarefas, em todas as reuniões, em todos os contactos?

 

Assim, acho que aquilo que os meus pais me disseram continua a ser verdade: os bons profissionais arranjam sempre emprego - ou melhor dizendo arranjam sempre uma vida, porque constroem a sua vida com as ferramentas que têm ao dispor. O maior desafio do mercado de trabalho não é ter um emprego mas sim ter sempre trabalho - e um bom profissional tem sempre.

2016: menos decisões mais acção

Cinco sapos estão num lago, em cima de um tronco. Quatro decidem saltar, quantos sapos ficam no tronco?

 

A viragem de um ano é sempre um momento importante na vida: é o momento de olharmos para trás e reflectirmos sobre o último ano que passou. E todos os anos fazemos sempre as mesmas perguntas:

 

O que correu bem? O que correu mal? O que poderia ter corrido melhor? Cheguei onde quis chegar? Fiz o suficiente? Dei o melhor de mim? Que mais poderia ter feito?

 

E todos os anos, damos a mesma resposta: "Correu bem, mas podia ter corrido melhor. Para o ano é que vai ser!".

 

Este é o momento mais importante, o momento em que tomamos a decisão de mudar. Vamos dizer aos amigos, vamos a primeira semana ao ginásio, vamos deixar de comprar tabaco, vamos marcar uma consulta no médico, etc. Damos o primeiro passo, sofremos os primeiros dias e conseguimos conquistar a etapa do primeiro mês...até chegarmos a Dezembro, olharmos para trás e apercebermo-nos de que nada foi feito e tudo continua por fazer.

 

Porque começamos o ano cheios de força e perdemos o norte dias depois?

 

Certo dia, contaram-me a história dos sapos e do tronco: cinco sapos estão num lago, em cima de um tronco. Quatro decidem saltar, quantos sapos ficam no tronco? Cinco, porque decidir é diferente de agir.

 

É aqui que todos nós falhamos nos nossos objectivos para o ano novo. Temos a determinação e vontade de chegar lá mas não fazemos o trabalho de casa. Decidimos e achamos que está feito. A decisão é apenas o primeiro passo de muitos que vão ser feitos ao longo do ano. Depois da decisão é que vem a verdadeira mudança: há que planear, experimentar, implementar, rever, planear de novo, concretizar de novo, rever de novo. Tomar uma decisão é importante mas agir é a única forma de mudarmos a nossa vida e termos o ano que desejamos ter.

 

Por isso, para 2016, procuro menos decisões e mais acção; menos planos e mais objectivos; menos conversa e mais acção.

 

Que 2016 seja o ano em que deixemos o tronco e passemos a ser o sapo que diz que vai saltar e salta - porque a vida não começa quando decidimos, mas sim quando fazemos.

O sucesso não é instantâneo

The only place where success comes before work is in the dictionary - Vince Lombardi

Se se perguntar a um gestor, a um recente estagiário e a um dono de empresa o que eles querem concretizar com o seu trabalho, todos darão a mesma resposta: sucesso.

 

Todos queremos ter sucesso, todos queremos concretizar os nossos sonhos, todos queremos alcançar os nossos objectivos. E para chegarmos lá dizem-nos para trabalhar, para trabalhar arduamente, para trabalhar todos os dias, sem parar, para podermos chegar onde queremos chegar.

 

A verdade é que nem todos chegamos lá. Uns param a meio do caminho, outros voltam para trás e outros nem chegam a começar. Tentam uma, duas, três vezes e o sucesso não chega e desistem. E não entendem que o problema não está nem no trabalho, nem no sucesso, mas sim numa outra ideia que muitos se esquecem de perceber: os resultados.

 

O sucesso é um resultado bom, é um resultado esperado, favorável, adequado às nossas expectativas. Quando trabalhamos arduamente, horas e horas por dia, semanas e anos sem férias ou descanso, esperamos ter sucesso, porque fizemos tudo o que tinha de ser feito, fizemos tudo certinho, sem falhar nada. E mesmo assim o sucesso não aparece.

 

Porquê?

 

Porque pensamos que o sucesso é como um bilhete de lotaria, um trabalho feito em x horas, um evento que vai alterar a nossa vida. Porque pensamos que o sucesso é instantâneo,  como se colocássemos os nossos sonhos numa taça, a levássemos ao microondas por dois minutos e está pronto. Porque em vez de nos focarmos no objectivo, focamo-nos no dinheiro, no tempo, nas horas mal dormidas.

 

Tal como define Darren Hardy, editor da Success Magazine, "a concretização de qualquer objectivo é a progressiva acumulação de pequenos passos tomados de forma consistente durante um certo período de tempo".

 

Em vez de pensarmos no sucesso, porque não pensamos nos pequenos resultados? Porque não pensamos num único resultado? Porque não pensamos num objectivo, para um dia, com uma estratégia, para atingirmos um resultado pequeno? Porque acreditamos em algo mas deixamos de lutar quando não chovem resultados? Porque preferimos comprar uma vida feita quando podemos construir uma vida à nossa medida?

 

Quando vemos outras pessoas bem sucedidas, não hesitamos em perguntar, qual é o teu segredo?, porque queremos essa fórmula mágica, queremos tudo feito, preparado e pronto para o sucesso - mas esquecemo-nos que o sucesso não se compra, ele constrói-se.

 

O sucesso é inteligência quando há ignorância; consistência quando há preguiça; persistência quando há vontade de desistir. O sucesso é resultado atrás de resultado e isso consegue-se com trabalho, com um trabalho árduo mas consistente, mesmo quando não está nada à vista.

 

O sucesso é pegar no barco e zarpar pelo nevoeiro até encontrar a ilha. Andamos, andamos, andamos e não vemos nada. Paramos? Não, continuamos até aparecer um raio de sol, uma vela, um pedaço de terra. O sucesso é ter uma meta e só parar quando lá chegar.

O que queres ser quando fores grande?

O que queres ser quando fores grande?

 

A eterna pergunta feita quando somos crianças. Quero ser bombeira, médica, bailarina. E é desde pequenos que começamos a sentir a pressão de ser alguém na vida. Ser um título. Ser uma profissão. Ser o exemplo de uma posição na sociedade. É aqui, no início das nossas vidas, que os jovens ganham a ideia de que a sua vida só faz sentido se tiverem um trabalho, se forem um funcionário de alguma área, se forem um profissional com uma posição específica numa empresa.

 

O que queres ser quando fores grande não é uma verdadeira pergunta. Porque todas as pessoas vão ter a mesma resposta: eu quero ser a melhor versão de mim. Todos queremos a excelência humana. É isso que os jovens e a minha geração andam à procura: de uma oportunidade de crescer, de se desenvolver, de se tornar num ser humano melhor. Nós não queremos ser os melhores engenheiros informáticos, os mais fantásticos gerentes de bancos, os maiores vendedores do mundo. Nós queremos ser melhor que conseguirmos ser.

 

Porque ser e fazer são coisas distintas.

 

Segundo o dicionário, ser é aquilo que existe, o ente humano, a vida. E fazer é criar existência, produzir, realizar.

 

Assim as pessoas são alguém que fazem algo. Mas não fazemos uma coisa só! Somos um ser que faz fazeres. Como podemos dizer "sou banqueiro", como se um fazer nos definisse absolutamente?

 

E é daí que vem a insatisfação com o emprego, com a empresa, com a casa, com os filhos, com os amigos, com a vida. Porque nos dizem que só podemos ser uma coisa na vida. Como podemos ser só uma coisa? Ninguém é só uma coisa. Todos somos uma coisa que faz várias coisas. O nosso trabalho não é o nosso ser e a insatisfação vem porque as pessoas pensam que o trabalho é o ser, quando é apenas só mais um fazer.

 

Os Bill Gates e Mark Zuckerbergs desta vida são bem sucedidos não porque eles são aquilo que fazem. A paixão que os moveu a criar as suas grandes empresas é sobrehumana, o que nos leva a pensar que eles são aquilo que fazem. Mas não. O sucesso vem não daquilo que fazem, mas porque fazem. É a sua missão que os guia. É o seu ser que os torna bem sucedidos.

 

Todos somos seres humanos que querem visitar novos locais, conhecer novas pessoas, viver novas experiências. Queremos produzir algo. Queremos criar algo. Somos pessoas que criam coisas, diferentes coisas, coisas consoante os nossos diferentes interesses. Mas todas essas coisas não nos definem, pois não são as coisas que nos definem mas sim o sentido que lhes damos.

 

Devemos assim procurar não o sentido para a vida (ser alguém) mas sim ter uma vida com sentido (fazer algo). E só fazendo do que gostamos podemos ser alguém - não pela pressão da sociedade mas pelo nossos próprios parâmetros.

 

- Então, o que queres ser quando fores grande?

- Eu ser já sou grande. O que quero fazer é algo com sentido para mim

Mais um

Quando vais escrever um post e percebes que não cabe em nenhum dos outros dois blogues que tens.

Então crias um.

Ah estou a ficar doida.

Mas feliz,

Porque a vida,

A minha vida,

É escrever.

 

Ps - pára de apanhar os tiques dos outros blogues, este tem de ter outra personalidade, vá.